A próxima parada pode ser o amor.
Hoje no ônibus observei a conversa de duas mulheres. Vou chamar de Raquel e Roberta.
Raquel se lamentava para Roberta e contava que estava separada do namorado, mas que ainda o amava. Falou também que ia a festas e ficava com outros caras, mas gostava de Tiago (era o nome do rapaz), mas na duvida estava procurando outras pessoas.
Fiquei pensando como o ser humano é complicado.
Gosto, mas fico com outros homens. Gostava de Tiago, mas na duvida se ele ia voltar ficava com outros. Onde está à vontade? O empenho? Fala que ama, mas na primeira oportunidade fica com outro. Incoerência? Mentira?
Ela vai para as festas a procura do Tiago, da felicidade, do namorado que perdeu e dela mesma. Acha que ficando com o Ronaldo na balada vai atingir o Tiago. É mentira. Está sim, se enganando. Acaba ficando com pessoas atrás de um gosto imaginário sempre em busca de um amor.
Minha vontade era falar: “o namorado vai aparecer quando menos você aguardar, fique calma”. Mas não podia, nem ao menos eu a conhecia.
O amor vai aparecer quando ela menos esperar é assim a lei natural da paixão. Vai ser na espera do ônibus, caminhando na redenção, comprando o bilhete do TRENSURB ou até mesmo perguntando alguma informação. Ele vai chegar com a mesma facilidade em que uma criança devora um picolé. O problema Raquel, vai ser você reconhecê-lo. Vou mais além, reconhecer sem que sinta a influencia do que alguém te falou. As pessoas se preocupam com o lugar, não com a pessoa, se preocupam com as circunstâncias, não com o momento.
O maior erro é que deixamos para encontrar o amor nas baladas, no pagode, na festa have, no pub. Este não é o cenário perfeito para o amor. É sim o cenário da guerra. Onde os soldados estão preparados para vencer, para se dar bem na noite. Precisam voltar com a certeza de que mataram alguém. Procuram em vez de coração, corpo. Em vez de vontade, necessidade.
Raquel deixou o amor (neste caso o Tiago) jogado ao sereno da noite. E ali ele permanece sozinho. Esquecido. Vai ser lembrado só no próximo dia, ou no próximo banco de ônibus. Neste momento a imagem de Tiago ainda está afogada na ressaca da noite passada.
Raquel mesmo sabendo que não vai ler. Sei que outras pessoas poderão desfrutar deste texto. Então que aprendemos a dar valor para as pessoas. Devemos acreditar mais no dia do que na noite. Vamos lembrar sempre: A maldade está na noite. Andar de dia é muito mais agradável, confortável e seguro.
O amor fica grande com o tempo. O amor é uma construção que precisa de máxima vontade para ser concluída. Você esta ansiosa por alguém e a ansiedade não te permite enxergar o que se aproxima
Queria puxar a cordinha e falar:
“Desce, o amor pode estar na próxima parada”.
M. Felipe