Blog Matheus Felipe

Jornalismo é isso…

Posts com Tag ‘Carroceiros’

Solução para os carroceiros de Porto Alegre

Publicado por matheusfelipe em Junho 18, 2008

Abaixo segue a solução encontrada em Belo Horizonte para o problema com os carroceiros. Lá deram dignidade aos carroceiros. Aqui tiraram o trabalho. Por que não fazer aqui? Bom cada um formule a sua resposta.

Ah e já ia esquecendo, é claro que o projeto não foi criado por vereadores ou deputados. Foi uma iniciativa dos estudantes, ou seja, do povo que quer a mudança. O “povo” aqui no sul quer a eliminação. E esse é o estado diferente. O estado politicamente correto. O estado da evolução.

A mudança por lá já iniciou e por aqui?

—————————————————————————————–
SOLIDARIEDADE A GALOPE

Projeto multidisciplinar da UFMG muda a vida dos carroceiros e alcança reconhecimento nacional

O mineiro Marco Antônio Soares aprendeu a lidar com os cavalos quando ainda nem podia imaginar que um dia esses animais seriam companheiros de sobrevivência. Aos 14 anos, levava os cavalos de amigos para pastar ou tomar banho. Aos 21, comprou Pivete, “um cavalo comum, novo e arisco”. Durante mais de um ano, Pivete foi amansado. Seu destino estava traçado: era puxar uma carroça no asfalto, carregando entulho, sobra de poda, lixo, móveis, gás, o que desse. No ano passado, depois de quatro anos de trabalho, Pivete foi trocado por Chaparral. Este, sim, um animal velho de guerra, de nove anos, “esperto que nem ele só” e também com o destino certo: a carroça herdada de Pivete.

Chaparral e Marco Antônio, de 27 anos, fazem parte do Projeto Carroceiro, ganhador, em apenas cinco anos de existência, de dois prêmios nacionais e um da própria UFMG. Coordenado pela professora Maristela Silveira Palhares, do departamento de Clínica e Cirurgia da Escola de Veterinária, a experiência transmitiu aos carroceiros de Belo Horizonte a consciência e a satisfação de ser cidadãos. Eles foram reconhecidos como profissionais. Já podem, inclusive, contribuir para o Instituto Nacional da Previdência Social como carroceiros. Ganharam identidade como tal, placa nas carroças e um amplo programa de atendimento a eles e a seus animais. Multidisciplinar, o projeto incorpora as escolas de Medicina e de Farmácia e a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas.

Estima-se que, na Capital mineira, existam dez mil carroças, responsáveis por grande parte do transporte de cargas indesejáveis, como entulho ou lixo, e até por pequenas mudanças de famílias. “Eles estão por toda parte”, destaca Maristela Palhares. Ela lembra que uma das maiores motivações para a formação do projeto, em convênio com a Prefeitura, foi levar ao carroceiro a consciência profissional e destacá-lo como agente de preservação ambiental. O resultado positivo é evidente: os carroceiros integram, por exemplo, um programa de reciclagem de restos da construção civil. Todo entulho encaminhado para qualquer das 14 Unidades de Pequenos Volumes implantadas na cidade é transformado em piso asfáltico e em tijolos para construção de baixo custo.

Em 1997, no início do projeto, foram recicladas 36 mil toneladas de entulho. “Seis anos depois, em 2001, foram 95 mil toneladas”, comemora Maristela Palhares. A reciclagem é parte de um programa maior, que abarca o atendimento ao carroceiro e ao seu animal.

Ao profissional, são oferecidos cursos de qualificação, de educação no trânsito e de manejo de eqüinos. São promovidas, também, palestras técnicas a cada dois meses e um encontro anual de todos os carroceiros. Marco Antônio participou de quatro desses encontros.

Em função do projeto, foi criada uma regulamentação para o tráfego de carroças no Município e ainda o Disque-Carroça, telefone através do qual o serviço do carroceiro pode ser solicitado. As carroças foram emplacadas (mais de 800 até o final de 2001), e os carroceiros receberam carteiras de condutores. Marco Antônio constata que as mudanças foram grandes e exalta o controle de vacinação, o que, admite, não era feito com regularidade antes, apesar da ameaça constante de perder o cavalo. O Projeto Carroceiro dá assistência ao animal de forma integral. Na Escola de Veterinária, cavalos e éguas cadastrados passam por controles de doenças, de sorologia e de vacinação.

Foram vacinados mais de mil cavalos, um trabalho que é feito todas as sextas-feiras por alunos e professores, que vão às Unidades de Pequenos Volumes, seguindo uma agenda prévia. Além do atendimento clínico, os cavalos recebem atendimento hospitalar quando necessário. A Escola de Veterinária é também responsável pela marca de nitrogênio líquido que identifica o animal, uma forma de controle contra roubo, um grande problema vivido pelos carroceiros. “Se a gente não ficar de olho, o bicho some mesmo. Basta deixar dez minutos de bobeira que passa um e pega”, conta o desconfiado Marco Antônio.

O Projeto Carroceiro implementou um plano de melhoramento genético de éguas, que já contabiliza 69 potros nascidos e 43 éguas vão parir ainda em 2002. A cada ano, o atendimento aos carroceiros tem crescido, no mesmo passo em que a história de sucesso do projeto é reconhecida. Em 2000, ele conquistou o prêmio Gestão Pública e Cidadania, da Fundação Ford e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Este ano, recebeu o prêmio Milton Santos, da Fundação Oswaldo Cruz, e o Prêmio de Extensão, da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG.

Matheus Felipe

Enviado em Opinião | Tagged: , , , , | 4 Comentários »

Resposta aos leitores Oliver, Viviane e Débora.

Publicado por matheusfelipe em Junho 18, 2008

Devido ao tamanho da resposta criei um novo post. Desde já agradeço a todos pela troca de argumentos.

(Leia o post que gerou a discussão)

Viviane:

Entendo tua preocupação. Só não podemos generalizar e dizer que todos os carroceiros maltratam os animais. Assim como eu não posso dizer que todos os protetores dos animais têm uma visão limitada do seu trabalho. Limitada, para não dizer demagógica. A minha única reivindicação é para que essas pessoas tenham uma alternativa de trabalho. Mas não é assim que funciona? Vão deixar 50 mil pessoas ao relento. Tem que tirar os cavalinhos, tudo bem, mas não esquece do ser humano. Por que os nossos políticos em vez de tirar as carroças não criam um banco de dados, um cadastro, e façam um acompanhamento destes animais? Evitando assim os maus tratos. E outra coisa, onde vão ficar esses mais de 8 mil cavalos? Quem vai cuidar? Qual o espaço físico eles vão ficar? Alimento?

Oliver:

Vamos por partes. Você pediu um exemplo de metrópole que conseguiu amenizar conflitos sem mexer com o ‘status quo’ vigente? Vamos lá então:

Belo Horizonte. Estima-se que, na capital mineira, existam dez mil carroças, responsáveis por grande parte do transporte de cargas indesejáveis, como entulho ou lixo, e até por pequenas mudanças de famílias.

Parte do projeto Carroceiro criado em BH para nosso conhecimento:

Com o projeto CARROCEIRO foi criada uma regulamentação para o tráfego de carroças no Município e ainda o Disque-Carroça, telefone através do qual o serviço do carroceiro pode ser solicitado. As carroças foram emplacadas (mais de 800 até o final de 2001), e os carroceiros receberam carteiras de condutores. Marco Antônio constata que as mudanças foram grandes e exalta o controle de vacinação, o que, admite, não era feito com regularidade antes, apesar da ameaça constante de perder o cavalo. O Projeto Carroceiro dá assistência ao animal de forma integral. Na Escola de Veterinária, cavalos e éguas cadastrados passam por controles de doenças, de sorologia e de vacinação.

O povo votou a favor por que não pensa no futuro. Quer apenas acabar com o problema, seja como for, mesmo que para isso fiquem 50 mil pessoas passando fome e desempregadas. É assim, infelizmente é assim. E que futuramente possam achar meios alternativos como o roubo para a sua sustentação.
Quanto aos vereadores representantes do povo? Deveriam ser. Neste caso em especial, não me sinto representado por eles. Eles não tiraram 8 mil carroças das ruas, botaram 50 mil pessoas lá.

Meu caro Oliver o caos só evolui por incompetência, por descaso. Culpa do legislativo, do executivo e do povo que só pensa no seu bem estar.

Por que não seguir o exemplo de Minas Gerais?

Não, é difícil, requer competência e boa vontade, mais fácil é criar um projeto de lei “eliminar” o mau pela raiz e agradar parte do povo. Ganhar uns votinhos nas eleições.

Os nossos queridos protetores dos animais podiam dar inicio a este projeto aqui no sul. Podiam fazer a fiscalização da saúde dos animais. Mas não, requer muito trabalho, mais fácil é apoiar a eliminação.

É assim, e sempre vai ser assim, até que os nossos representantes façam seu papel. Mas antes disso precisamos fazer o nosso, e que começa lá na escolha dos botões na urna eletrônica.

Pessoal obrigado pelas manifestações. Isso é democracia. Fico feliz em saber que existem pessoas que querem discutir os problemas sociais. Obrigado mesmo.

Matheus Felipe

Obs: Meu próximo post vai ser o projeto CARROCEIROS, feito em BH, para que todos tenham o conhecimento do projeto.

Enviado em Opinião | Tagged: , , , , , , , | Deixar um comentário »

O fim das carroças em Porto Alegre e inicio de mais problemas.

Publicado por matheusfelipe em Junho 17, 2008

Dentro de oito anos, as carroças e os carrinhos-de-mão que circulam pelas ruas e avenidas da capital serão gradativamente retirados. O projeto de lei do vereador Sebastião Mello, do PMDB, foi aprovado por 22 votos favoráveis e 12 contrários pelos vereadores. O texto aprovado também estabelece o cadastramento das carroças em circulação.

Com as galerias lotadas não faltou manifestação. De um lado, representantes das ONGS que defendem o fim das carroças e a proteção dos cavalos. Já de outro, representantes dos carroceiros e recicladores. Teve até agressão física entre os manifestantes.

Quatro horas de debates e o projeto foi aprovado. Cerca de oito mil carroças circulam diariamente em Porto Alegre, totalizando assim, 50 mil pessoas vivendo da reciclagem.

A proposta do vereador não exige que a prefeitura municipal crie um programa de inclusão dos profissionais que trabalham na reciclagem. A questão foi motivo de emenda por parte da oposição. E acredite: a emenda não foi aprovada. O projeto depende da sanção do prefeito de Porto Alegre.

Essas pessoas vão sobreviver do que? De fotossíntese? Para um pouquinho, essas pessoas têm sim que passar por algum processo de inclusão. Vão tirar o “trabalho” deles e deu. Problema resolvido.

Até concordo, atrapalha o trânsito? tem que tirar as carroças? Tudo bem, mas que encontre um meio para que essas pessoas tenham um trabalho. Mas não é assim que as coisas funcionam? Em vez de dar emprego vão tirar?

Será que nossos queridos vereadores já pensaram que daqui oito anos teremos mais que 50 mil pessoas desempregadas? Fazendo o que? Roubando? Pedindo esmola?

Vereadores já calcularam o impacto social que isso pode causar?

Tão criando um vulcão e a lava que vai escorrer, daqui oito anos, vai derreter muita pessoas inocente. Depois não reclamem que a violência aumentou, os crimes, assaltos, moradores de rua…


… E essa é a capital que vai sediar uma copa do mundo em 2014.


de que jeito?

Matheus Felipe

Enviado em Notícias, Opinião | Tagged: , , , , , | 11 Comentários »