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“Batman – O Cavaleiro das Trevas” estréia nesta sexta-feira nos cinemas

Publicado por matheusfelipe em Julho 18, 2008

Ledger encarna o insano vilão Coringa
Foto:Warner, Divulgação

Por Marcelo Perrone – ZH

A overdose de medicamentos acidental que matou Heath Ledger, em janeiro passado, lançou uma sombra sobre o futuro do filme aguardado como um dos grandes sucessos de bilheteria do ano, dos quais Hollywood depende cada vez mais para manter a engrenagem rodando.

Depois de muitas especulações – que variavam desde o peso que teve na tragédia a visceral dedicação do ator ao projeto até as mudanças na trama a fim de atenuar a presença de Ledger, em cenas que poderiam ter leitura mórbida – , Batman – O Cavaleiro das Trevas chega nesta sexta-feira aos cinemas.

E confirma: o desempenho do ator, de fato, é assombroso, e seu Coringa não é apenas a melhor caracterização já feita do arquiinimigo do Homem-Morcego. É desde já um dos grandes personagens da história do cinema.

A morte de Ledger, aos 28 anos, no auge da carreira, é daquelas fatalidades que ajudam a criar mitos, e um trabalho póstumo deste porte deve reforçar essa ascensão. O Coringa é um personagem que permitiu a Ledger dar continuidade aos bons trabalhos que emendou após ser indicado ao Oscar pelo papel de caubói gay em O Segredo de Brokeback Mountain (2005): entre eles o poeta viciado de Candy (2006) e um dos Bob Dylans em Não Estou Lá (2007), a inventiva cinebiografia do músico americano.

Christopher Nolan, diretor de O Cavaleiro das Trevas, disse que pensou em Ledger para o papel antes mesmo de ter um roteiro para a seqüência de seu Batman Begins (2005). O desafio para o ator não era pouco. Além de ser um dos vilões mais marcantes da enorme galeria do mal que habita o universo dos super-heróis, o Coringa havia sido interpretado pela última vez no cinema por Jack Nicholson, em Batman (1989), de Tim Burton – embora marcante, a caracterização não deixava de ter a persona de Nicholson travestido de Coringa.

O Coringa de Ledger combina dois extremos da trajetória do criminoso: o original de 1940, um assassino sádico, e a insana e atormentada figura realçada nas HQs adultas dos final dos anos 1980, como A Piada Mortal e Asilo Arkham. Em entrevistas, o ator afirmou que usou como modelo também o violento Alex, protagonista de Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick. A Nolan e a Ledger não interessavam características realçadas em outros Coringas, como Nicholson e o impagável Cesar Romero no seriado de TV dos anos 60: a do vilão fanfarrão e histriônico (veja ao lado).

O que o novo filme extrai do Coringa é sua essência: um maluco engenhoso que visa nada além de semear o caos em Gotham City – é literalmente louco de queimar dinheiro – e mostrar que todo o ser humano, no fundo, é igual a ele, basta ter seus limites éticos e morais tentados e forçados. Da caracterização física icônica – a maquiagem branca, o eterno sorriso realçado com batom vermelho e os cabelos verdes – a nuanças como empostação de voz, gestos e olhares, tudo no Coringa de Ledger é original, brilhante, assustador e definitivo.

É uma atuação que justifica a campanha já deflagrada para que Ledger receba uma indicação póstuma ao Oscar – apesar de ele se impor no filme – possivelmente como coadjuvante. Não seria um feito inédito. Atores como Spencer Tracy e James Dean, este duas vezes, concorreram depois de mortos, e a distinção é comum em outras categorias. Mas até hoje apenas um Oscar póstumo por interpretação foi concedido, em 1976, a Peter Finch, por Rede de Intrigas.

Fãs impressionados com a performance de Ledger acham possível que encarnar um personagem tão sombrio possa ter desestabilizado emocionalmente o ator, a ponto de contribuir para sua morte. Bobagem, garantem seus companheiros de set, que recordam dele sempre alegre e carinhoso nos bastidores.

O que o Coringa tem de Ledger é tão somente a alma e o talento de um baita ator.

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